domingo, 11 de julho de 2010

A Fogueira


Eram dias frios e não muito longe havia uma fogueira, acomodei-me perto dela. Passei a observá-la. Era diferente, queimava de forma estranha, quando percebi estava envolto por suas chamas. Aquele calor ardia dentro de mim, mas não sentia dores, sentia prazeres que me seduziam para dentro daquelas brasas. Resolvi não resistir e joguei-me no fogo da sua paixão. Quero que incendeie minha alma. Esperarei ela se queimar até não sobrar mais nada dela e nossos fogos se tornarem uma só chama, um só inferno e quando tudo passar, até tudo virar cinza, quando tudo não for mais nada além de um belo passado o vento levará nossas ruínas para todos os lugares, como o polén das plantas, para que como uma Fênix elas renasçam e incendeiem no coração de outras pessoas para que ninguém tenha que encarar aqueles dias frios tão tristes sem nenhuma proteção.

2 comentários:

  1. Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.

    Inventário do Ir-remediável, Caio F. Abreu

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  2. estejam em chamas nossas almas que pedem calor!

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