Eu bem que tento. Consegui mudar. venci as dificuldades, ou parte delas, impostas por mim mesmo. Mas, tornei-me alguém melhor? Não sei. As respostas estão vindo com o tempo. Minha auto-defesa pode machucar os outros. Minhas já não estão claras novamente. Escureci minha mente e fechei meus olhos. E qualquer um que se aproximar encaro como um inimigo. Subi esse penhasco até o ar se tornar rarefeito e quem quiser me alcançar pode estar roubando meu ar. Antes o estranho "ir" do que eu. Agradeço apenas se for a solidão me fazendo companhia. Ela é a única, no momento, que consigo aturar.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Décimo andar.
Há dias em que a solução mais fácil para resolver os problemas parece ser me jogar do décimo andar e me esfacelar feito panqueca no asfalto frio da cidade imunda. Mas isso seria facilitar o jogo para a vadia da vida. Tento não me entregar tão fácil, mas sempre surgem novas complicações ou, como os positivistas falam, novos desafios e esse ciclo repetitivo me enjoa. Tenho curiosidade para saber como seria e o que pensaria naquele momento de queda livre. Sabendo que não haveria mais nada pela frente. Bem, assim como temo os desafios também temo perder a vida. Grande novidade essa, vindo de um covarde como eu. Espero que um dia perca o medo de um desses dois.
domingo, 9 de março de 2014
Desperdício
Aquela chuva fina caía lentamente. Era tão miuda que parecia ser incapaz de molhar. Eu, apenas a observava caindo diante de tanto concreto. Ver aquilo me deixava pior. Parecia estar diante de um cemitério molhado. O único som que podia sentir era o da vitrola arranhado o disco de vinil. Morrison berrava Love me two times. Eu não sabia o que sentir naquele momento. Na verdade eu não sabia o que era sentir já faz algum tempo. A música acabando me fazia refletir que a cada segundo que passava era um a menos na minha vida. Quanto tempo eu tinha? O que estava fazendo? Resumindo, NADA. Era um completo inútil. Enquanto algumas pessoas lutavam pela vida num leito de hospital eu a desperdiçava da pior maneira (Será que eu poderia vender o "meu tempo" para essas pessoas?). Senti-me mal naquele momento. Senti-me o ser mais idiota e egoísta do planeta. Foi apenas por um momento. Vi que pelo menos começava a fazer algo, refletir sobre minha postura. Já não era mais um inútil. Logo depois, voltei a desperdiçar meu tempo.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Papo de bar
Aqueles dois homens continuaram conversando no bar. Notava-se que um deles estava preocupado. Não conseguia manter o foco em nada e mexia compulsivamente. Até que quebrou o silêncio.
- Não paro de pensar nela.
- Pois é. Sabia que havia algo de errado contigo. Acalme-se e complete seu copo.
- Não tem noção de como a quero. Percebi que ela é a mulher da minha vida.
- Cale a boca! Não sabe a merda que disse.
- Claaaaaro. Falou o "Sr. experiência com mulheres" em pessoa.
- Você está descontrolado, mas mesmo assim tentarei fazer minhas palavras entrarem na sua cabeça. Escute. Você a quer certo? Você acha que a terá?
- Sim, sim, sim
- Não me interrompa, voltando. Saiba que nunca a terá!
- AHAM! Ah, vá a merda!
- Fique quieto. Deixe eu terminar. Essa via é de uma mão só, meu caro. Só ela o terá, ou melhor, já o tem. A melhor coisa que tem a fazer é saber que está sendo controlado e não se importar com isso. Admita para si mesmo isso. Torça para que ela não saiba "jogar". Senão pelo contrário bastará abrir as pernas para lhe ter lambendo os pés. Renda-se enquanto há tempo, pois ela saberá transformar sua vida num verdadeiro inferno. Bote isso na sua cabeça e não se importe mais.
- (Gargalhadas). Nunca ouvi tanta merda em minha vida em tão pouco tempo.
- Eu já admiti pra mim e estou muito bem. Agora é sua vez.
- Ok, ok.... mas a próxima quem paga é você.
- Garçom!!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Tolo
Apanhou, caiu e levantou. Continuou andando, porém sem rumo. Ele já não sabe mais o que fazer. Se considera homem feito, mas chora escondido achando que o mundo deveria ser do seu modo. Não passa de um garotinho que ao sinal de qualquer perigo esconde-se embaixo do vestido da mãe. Talvez seja esse o problema. Vive num mundo que não é seu. Que não foi construído por ele. Sempre moldado pelos outros. Sua liberdade não é verdadeira, pura ilusão de um conto de fadas que faz questão de acreditar.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
O mentiroso
Voltou cabisbaixo para casa. Sua preocupação era consigo. Estava transformando-se no que? Possivelmente em alguma coisa que não conseguiria controlar. Não conseguia enxergar o homem que estufava o peito para falar mentiras e concordar com verdades que não lhe pertenciam. Estava viciado. Sua verdadeira vida foi falsificada por ele mesmo. Sua máscara sempre caía quando sua coragem era posta em jogo. Tantos desejos tantas intenções que não conseguiam ser ditas frente aos outros, mas agora já era tarde. Em algum momento breve, todos descobririam e ririam dele por saber quem ele não era, quem ele não foi e no perdedor que se transformou. A única certeza é que sua vida de mentiras agora era a mais pura verdade.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Regras
A noite cai sobre a luz do dia. Tapando-o como um cobertor. Trazendo o frio e perguntas que não tem resposta ou temos medo de respondê-las. Vivemos cabresteados por regras que não nos deixam felizes. Regras que não nos deixam viver. Regras que "devemos" cumprir. Obrigados a cumprir tarefas. Acorrentados em falsos dilemas. O alívio imediato vem no álcool, no cigarro, numa festa, num parágrafo...
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